O longo adeus de Jack Sparrow

Jack Sparrow

Em meio a todo o buzz criado pelo lançamento de Mulher Maravilha é até difícil a gente ouvir falar alguma coisa de Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, quinto filme da franquia da Disney estrelada por Johnny Depp. O motivo do silêncio é mais do que justo: enquanto temos uma quebra de paradigma com uma grata surpresa de crítica e bilheteria no subgênero de super-heróis, vimos uma claudicante Disney insistindo numa fórmula que pode ter feito muito sentido no início dos anos 2000, mas que caiu no ostracismo da preguiça criativa e da aposta em um astro afundado pelos escândalos da vida pessoal.

Deixando de lado as tretas do Johnny Depp e se concentrando no filme em si, é um clássico exemplo de mais do mesmo, mas sem aquele brilho do início. O trio protagonista é formado pelo infame pirata Jack Sparrow (Depp), o filho de Will Turner e Elizabeth Swann, Henry (Brenton Thwaites) e a jovem astrônoma Carina (Kaya Scodelario), que não acredita em maldições. O antagonista da vez é o Capitão Salazar (Javier Bardem), um oficial da marinha que hoje se vê preso em uma maldição do mar. Por algum motivo, a chave para resolver tudo é Jack Sparrow. De novo.

Jack Sparrow e Carina

A fórmula dos primeiros filmes é repetida à exaustão aqui: um trio que não tem motivos para confiar um no outro, jovens teimosos e obstinados e aquela mania de tentar fazer o Jack importante só por causa da porcaria de bússola dele. Além de não ser original, o filme ainda tem outro grande problema: não há química no trio principal. Johnny Depp continua se importando só com os próprios dreads e os dois jovens não convencem como casal e nem como atores.

Com um roteiro que mais parece um plágio eles poderiam ter optado pela nostalgia e mais minutos de tela entre os veteranos Orlando Bloom e Keira Knightley, mas nem nisso conseguiram caprichar. A única participação realmente divertida é a de Geoffrey Rush como Capitão Barbossa. Aliás, até o destino dele é copiado de um dos filmes anteriores.

Capitão Barbossa

Aliás, o único filme esquecido aqui foi o quarto, aquele com a Penélope Cruz que eu confesso não lembrar direito da história de tão ruim que é. Se a gente optou por esquecer, por que os roteiristas não fariam o mesmo, né?

Por mais que A vingança de Salazar não seja o pior filme da série, dá pena ver uma franquia afundar em mares tão profundos. Era pra ser leve e divertido, mas acabou ficando enfadonho, cansativo e repetitivo. Talvez seja hora do Pérola Negra atracar de vez em algum porto, da Disney explorar novos oceanos e do Johnny Depp pegar a sua bússola e procurar um novo rumo.

Fotos: Disney Enterprises

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Sobre Luciana da Cunha

Jornalista, cinéfila, mochileira e louca dos gatos.
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